Viradouro define número de compositores por obra e proíbe participações especiais

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As eliminatórias acontecerão às sextas-feiras e a final será em um sábado do mês de agosto, ainda sem data definida. A entrega e apresentação dos sambas será no domingo, 2 de julho. Não será cobrada taxa de inscrição para participação e cada parceria deverá entregar dois CDs com o samba e 30 cópias impressas da letra.

Ainda durante a reunião com os compositores, a diretoria ressaltou que espera que a disputa para escolha do hino de 2018 seja em clima de festa, acrescentando que o número de torcedores das obras concorrentes não vai pesar em nenhuma etapa do concurso.

A direção também frisou que, entre os fatores que serão analisados para a eleição da trilha sonora do desfile do ano que vem – além obviamente da qualidade da obra – estão o desempenho dos sambas na voz de Zé Paulo Sierra, intérprete oficial da escola, e o horário em que a agremiação se apresentará na Sapucaí.

Vice-campeã em 2017, a Viradouro integra a Série A. O dia e a ordem de desfile serão definidos por sorteio no próximo dia 13, na quadra do Império Serrano.

(via tudodesamba.com.br)
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Veja a sinopse da Viradouro para o Carnaval 2018

Enredo: “Vira a cabeça pira o coração. Loucos gênios da criação”

viradouro_logo_enredo2018Chegou tua hora, Viradouro!
Grita forte para desestabilizar o cotidiano da razão.
É tempo de virar o mundo todo!
Momento de criar, de novo,
carnavalizando para o povo,
no desordenado reino da imaginação,
estes loucos gênios da criação.

Abraça os magos doutores da erudição!
Trova forças e matizes em explosão prisma multicor,
sela o chão deste asfalto com línguas de cientistas malucos alucinados,
e delira com o mensageiro das estrelas precursor!
Redescobre a energia, a luz, a comunicação e
exalta, Viradouro,
a inventividade e a idealização!
Grita o eureka! ensandecido dos inventores
e a persistência da memória das invenções,
pois se é desde a criação de Adão
que, de louco, todos temos um pouco,
divaga para essa gente os gênios doidos
e seus devaneios de realizações!

Enlouquece, Viradouro!
Vira d´ouro nesta avenida o teu próprio tesouro!
Brinca as glórias dos louros
das obras de uns Vinci a Trinta numes loucos!
Vai aos céus declamando
Ícaro, balões, voos de emoção!
Persegue, junto deles, no caos, o cosmo,
e descobre o teto do firmamento
graças ao Santos que deu asas à imaginação!
Canta as inspirações loucas que recitam a ambição
do apogeu da racionalidade e da sua irmã insanidade.
Ah, e para quem duvida
aquele Trinta também cientista,
quão errante é quem ignora a quimera
que ciência é, da arte, um espelho de mesma matéria?

Então, inspire-se, comunidade!
Conjura, Viradouro,
grandes alquimistas da ficção!
Sábios insanos que (re)criaram a excentricidade
da vida na ficcionalidade.
Saudemos a sétima arte e o humor,
das músicas, o compositor,
e o monstro de Frankenstein, o doutor.
Devotos quixotescos do moinho de fantasia,
fiemos rosários para bispos incompreendidos,
sambemos com chapeleiros e rainhas,
e com um bruxo e seu alienista.

Louvemos fantasmas da dinamarquesa realeza,
gentileza que gera gentileza,
curvando-nos a essa amalucada nobreza!
Mestres tresloucados
que brindam à promiscuidade
do beijo da mentira na verdade.
Criar (n)a loucura não seria assim
jogo irracional entre sensatez, emoção
e um delirar sem fim?

É, aqui, enfim, na Apoteose da utopia,
o encontro daqueles artesãos da loucura da criação
com a felicidade da alegria.
Frente à explosão de poesia,
abrem-se os pavilhões para os fanáticos pela folia.
Venham, Mestres, celebrar, pela Viradouro, nossa paixão,
fascínio que vira a cabeça e pira o coração!
Venerá-la tal qual um Pierrot que de euforia enlouquece
sonhando que, possível, o impossível lhe parece.
Amá-la neste mundo de galhardia,
como se fosse os braços de Colombina!
Sejam imperadores na avenida,
vivendo tal amor com maestria!
Venham jogar tudo pro alto, celebrar,
perder a cabeça até o dia clarear!
Sonhar a absurda feliz liberdade
na ópera de rua,
teatro de criatividade!
Pois não seriam gêmeos a loucura e o criar
do carnaval amante do amar?

E ao desfilar, Viradouro,
fantasia no palco criadouro
fazendo bricolagem com sonhos e bons agouros!
Enobrece as criações da imaginação
daqueles gênios que eram e são!
Vira o espelho da dúvida
olhando para si, afinal –
quem sabe se, metáfora do real,
no fim,
loucos também não criaram o carnaval?

Autores: Edson Pereira, Clark Mangabeira e Victor Marques

ANEXO DESCRITIVO DA SINOPSE

Querido compositor,

É uma honra e uma grande alegria estar com vocês no carnaval 2018 da Viradouro.

Nosso enredo trata da loucura da criação, sobre o processo criativo a partir da perspectiva de inventores que foram considerados loucos em sua época, que foram incompreendidos e que criaram invenções e teorias que mudaram o nosso mundo.

O enredo focará nas criações e invenções de loucos gênios da criação de maneira desordenada, a partir do nosso reino da imaginação.

O primeiro setor trará referências aos cientistas, magos doutores da erudição, que esmiuçaram o universo e nos deram descobertas como a teoria das cores (Newton), a observação do universo (Galileu), as descobertas da física moderna (Einstein), a comunicação (Graham Bell), a energia e a luz (Thomas Edson) e os músicos e suas sinfonias (Mozart e Beethoven). É importante frisar que outros gênios tiveram as sinfonias clássicas como músicas favoritas, ou seja, a música serviu, além de entretenimento, de inspiração. O setor foca no grito de eureca e na luz que vem das ideias das grandes descobertas, nos gritos de felicidade e no espanto ao se descobrir ou criar algo. Também é importante a persistência na memória das invenções, que nasceram e se imortalizaram.

O segundo setor tem como fio condutor os sonhos e as invenções relacionadas ao voar, sendo que o mais importante é a figura de Santos Dumont. Passando pelo mito de Ícaro, pelos balões de Lachambre, chega-se ao brasileiro e ao seu 14 Bis.

Santos Dumont lia Julio Verne, o autor de “Vinte Mil Léguas Submarinas” que, em seus livros, previu uma série de engenhocas, inclusive uma máquina de voar, o Albatroz. Assim, são estas engenhocas – e a literatura inspiradora – a ligação com o terceiro setor.

O terceiro setor traz a loucura da ficção, dos autores, das obras e das personagens que são inspiradas pela ideia de loucura. O foco é alguns personagens e obras famosas, como Frankenstein, o Chapeleiro Maluco, o livro “O Alienista” de Machado de Assis, Hamlet e Dom Quixote.

Fazendo a ligação com o quarto setor, citamos personagens da vida real que se relacionam com a ficção, pois seriam “loucos”. São eles o Bispo do Rosário e o Profeta Gentileza (natural de Niterói). Eles são o elo entre a realidade e a fantasia, e com o carnaval. Loucos e delirantes, eles vivem em um mundo próprio, uma ficção, suas fantasias, que também são reais, meio carnaval.

O quarto setor é uma ode, portanto, ao carnaval e ao louco amor pela Viradouro. Para contar esse amor, comparamos o amor pela escola ao amor do Pierrot pela Colombina, que é intenso, louco, apaixonado. Este amor é sempre embalado pelos carnavais da Viradouro e pelas criações de artistas, loucos criadores de ilusões que passaram por Niterói.

O personagem central é o carnavalesco Joãozinho Trinta, pensado como símbolo de todos os grandes nomes que passaram pela Viradouro. O grande gênio que fez a Viradouro voar alto e alcançar a vitória.

Fechamos o carnaval, então, com uma ode à Viradouro, exaltando sua torcida loucamente apaixonada que por ela faz de tudo.

Uma comissão de encerramento fará referência a Chaplin. O gênio da Sétima Arte será uma referência à reflexão sobre a loucura que habita em todos nós, porém atentando ao fato de que devemos tomar cuidado com a intensidade da loucura, para não nos perdermos na insanidade sem volta, destruidora, devendo, sempre, assim, enlouquecer pensando no próximo e no bem maior. Deixemos a loucura nos fazer pensar diferente, fora do lugar comum e que nos ajude a desvendar o mundo para o mundo, com humor e leveza.

Para finalizar, um pequeno alerta: a seleção de “loucos gênios” não tem um ponto final. Fizemos uma seleção e peço que tomem cuidado com os nomes que constam aqui e nas referências da sinopse, pois, ao citar um, podemos nos comprometer. O tema, novamente, são os loucos gênios da criação, no geral.

Assim, os mundos criados vão continuar enlouquecendo-nos com novas histórias…

Um abraço,
Edson Pereira

Viradouro anuncia enredo no próximo domingo

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A Unidos do Viradouro faz feijoada em sua quadra no próximo domingo, 23, a partir de 14h, para festejar o Dia de São Jorge. Além da extensa programação musical, com os grupos Estrelatto e Soul + Samba, show dos segmentos, e participação especial do cantor e compositor Diogo Nogueira, será anunciado o enredo para 2018, com a apresentação oficial da equipe para o próximo Carnaval.

Estão estreando no time da escola de Niterói, o carnavalesco Edson Pereira; o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Rute Alves e Julinho; o segundo casal, Roberto Vinicius e Alana; Márcio Moura, coreógrafo da comissão de frente; e Valci Pelé e Nilce Fran, coordenadores da ala de passistas. Mauro Amorim, que já fez parte do segmento este ano na própria vermelho e branco, assume a direção-geral de harmonia. Completam a equipe, o intérprete Zé Paulo Sierra, Maurão, mestre de bateria, e Alex Fab e Dudu Falcão, na direção de carnaval.

O ingresso antecipado (segundo lote) para a Feijoada de São Jorge custa R$ 20, à venda na secretaria da quadra. Na hora, será R$ 30. O prato de feijoada sai a R$ 20. A quadra da Viradouro fica na Avenida do Contorno, 16, no Barreto. Informações pelo (21) 2628-5744.

(por Portal do Samba)

Viradouro elege novo presidente nesta quinta-feira

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A Unidos do Viradouro faz Assembleia Geral Extraordinária na próxima quinta-feira, 20, das 10 às 15h, para eleger a diretoria que comandará a escola até 2020.  Segundo o Conselho Deliberativo, apenas uma chapa foi inscrita em tempo hábil: a Calil/Monassa, que tem Marcelo Calil Petrus Filho como presidente e Susie Carla Bessil, como vice.
Marcelo é filho de Marcelo Calil, presidente de honra da vermelho e branco. Susie é filha de José Carlos Monassa Bessil, que presidiu a escola por nove anos e foi o responsável por fazer da Viradouro uma das grandes potências do Carnaval do Rio de Janeiro, ocupando, por muitos anos, posição de destaque no ranking da Liga das Escolas de Samba.
A posse dos candidatos da chapa vencedora será imediatamente após a apuração dos votos. A apresentação da nova diretoria será no dia 9 de maio.
(via: Folia do Samba)

Viradouro: de Niterói pra Sapucaí

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Fundada no dia de São João Batista de 1946 por Nelson dos Santos, conhecido como Jangada nas rodas de samba do bairro de Santa Rosa, a Viradouro desde os seus primeiros anos mostrava ser uma grande força carnavalesca na cidade de Niterói. Por ser fundada em 24 de junho (dia do padroeiro da cidade de Niterói), esse mesmo santo foi escolhido como padroeiro também da escola. Perto do local de fundação existia também o monumento a Nossa Senhora Auxiliadora e sua proximidade com os moradores da região fez com que ela também fosse escolhida como padroeira da agremiação. Inclusive foi do manto (azul) e de suas vestes (rosa) que foram escolhidas as cores oficiais da Viradouro: azul e rosa.

Nos seus primeiros carnavais disputados a Viradouro teve a escola de samba Combinado do Amor como a grande adversária na concorrência dos títulos. Ainda assim a azul e rosa de Santa Rosa conquistou 10 títulos em 12 disputados. Toda essa supremacia fez a Viradouro se aventurar na cidade do Rio de Janeiro, palco dos mais disputados desfiles do mundo. Em 1964 e 1965, desfilando na Cidade Maravilhosa, a agremiação niteroiense alcançou apenas um 26º lugar entre as grandes escolas, decidindo voltar ao carnaval de Niterói no ano seguinte.

Voltando às disputas em Niterói, a Viradouro encontraria aquela que seria a sua grande adversária na disputa pelos títulos: a Acadêmicos do Cubango. Nos primeiros anos em que as duas concorreram ao mesmo título, a Cubango sempre levou a melhor. Até que nos preparativos para o carnaval de 1971 algo inusitado aconteceu. A Viradouro conseguia a grande parte dos tecidos para os seus desfiles através da fábrica Matarazzo de São Paulo que os produzia nos tons de rosa que a Viradouro costumava usar. Com o fechamento da fábrica, os dirigentes da escola tiveram muitas dificuldades em encontrar tecidos que correspondessem às cores da agremiação. Era uma época em que as escolas desfilavam com as cores de sua bandeira sendo representadas fielmente nas suas fantasias e alegorias. No decorrer do ano de 1970 foi aprovada a mudança de cores da escola, passando de azul e rosa para o vermelho e branco que conhecemos hoje. Já no seu primeiro desfile com as novas cores (1971) a Viradouro chegou novamente ao título depois de alguns anos vendo a Cubango se sair melhor nas disputas. A Viradouro ainda conseguiria mais 7 títulos após 1971, incluindo aí um pentacampeonato ocorrido de 1980 à 1984.

Em 1986, depois de se manter no topo do carnaval de Niterói por muitos anos, a Viradouro decide disputar novamente o carnaval da cidade do Rio de Janeiro e chega ao grupo de avaliação, sendo aprovada e autorizada a concorrer com as demais escolas da AESCRJ (Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro) após apresentar o enredo: “Novos ventos, novos tempos – História de uma integração”.

Em 1987 a Viradouro finalmente disputando com as escolas já consolidadas no Rio obteve um modesto 5º lugar no quarto grupo. Já em 1988 a escola conseguiu o vice-campeonato exaltando as contribuições do negro ao folclore brasileiro. No mesmo ano chega à escola José Carlos Monassa, o homem que teve determinante papel na mudança da agremiação. Já em 1989 veio o primeiro título na cidade, o do terceiro grupo do carnaval carioca com o enredo: “Mercadores e Mascates”, ganhando o direito de se apresentar na Marquês de Sapucaí no ano seguinte e pleitear uma vaga no concorrido Grupo Especial.

Para o desfile de 1990 chega à Viradouro o carnavalesco Max Lopes, que acabara de ser campeão pela Imperatriz Leopoldinense em 1989. Já disputando o Grupo 2 do carnaval carioca, numa ascensão impressionante, a até então pouco conhecida agremiação de Niterói, cercada de expectativas contou em seu inusitado enredo a história da escrita e a sua importância na comprovação de acordos e de documentos essenciais na vida do ser humano. Com um desfile pautado pelo luxo e bom gosto, marca de Max Lopes, a Viradouro conquistou o primeiro lugar no Grupo 2 de 1990, ganhando o direito de desfilar entre as mais famosas escolas de samba no carnaval de 1991.

Com o belo desfile apresentado em 1990, a Viradouro estrearia no Grupo Especial no ano seguinte. Além de se manter no grupo, o objetivo da escola era de ficar bem classificada entre as grandes escolas. Para tanto, Max Lopes confirmou a sua permanência na escola de Niterói e anunciou o novo enredo poucas semanas depois do desfile: uma homenagem à vida e carreira da atriz e comediante Dercy Gonçalves. “Bravíssimo! Dercy o retrato de um povo” foi o título escolhido por Max que justificou: “Bravíssimo é o aplauso máximo do teatro. Dercy há muito merecia ser lembrada por uma escola de samba. Esta mulher veio ao mundo para alegrar o povo. Apesar das inúmeras crises e problemas que o Brasil já passou, ela foi uma das poucas pessoas que conseguiram fazer a gente rir.” Disse o carnavalesco prometendo um desfile com muito humor e alegria, características marcantes da atriz.

A atriz, com 82 anos na época, surpreendida pela notícia da escola chegou a dizer num primeiro momento: “Pra quê que eu quero homenagem?”. Irreverente como só ela sabia ser, se acostumou com a ideia rapidamente e se prontificou a colaborar com o desenvolvimento do desfile.

No meio do ano de 1990 a agremiação de Niterói ainda sofreu um duro golpe nos preparativos para o desfile: um incêndio no Pavilhão de São Cristóvão destruiu, entre outros, o barracão da Viradouro, impedindo que qualquer coisa fosse reaproveitada do ano anterior. Tudo deveria começar do zero. E para tocar os trabalhos no barracão Max contava com seus assistentes Mauro Quintaes e Lucas que junto dos demais funcionários trabalharam arduamente para vencer os desafios e pôr o carnaval da escola na rua. Ainda no campo de estrutura, a quadra da escola foi reformada para receber shows e angariar ainda mais fundos para o desfile.

Em 31 de julho daquele ano, o enredo foi lançado oficialmente no Teatro Rival, onde Dercy exercia uma grande temporada de apresentações em uma grande festa organizada para a imprensa pelo destaque da escola Sivuca Malta.

Em setembro foi iniciada a disputa com 10 sambas. Entre os concorrentes estava um samba de David Correa, notório compositor portelense com sambas também no Salgueiro e em Vila Isabel. No final da disputa venceu o samba composto por Adir, Odir Sereno, Gelson e Rubinho. Àquela altura a Viradouro já contava com uma grande popularidade e expectativa graças ao festejado enredo. Até mesmo uma agência de publicidade foi contratada para veicular a imagem da escola.

A classe artística obviamente apoiou o enredo escolhido e vários artistas famosos da época confirmaram presença no desfile, tais como Mariane Ebert, Anilza Leoni, Lady Francisco e Fernando Reski. Além deles, o famoso palhaço Carequinha também prometeu estar presente no último carro da escola que representaria um circo.

Em janeiro de 1991 a Viradouro participou do ensaio técnico no sambódromo onde foi avaliado, sobretudo o tempo de desfile que seria necessário para cruzar a avenida. Vale lembrar que pelos atrasos nos desfiles de 1990, a LIESA decidiu diminuir o tempo de desfile e ser implacável com o horário estabelecido para o início das apresentações (18 horas). Quase todas as alas participaram do ensaio e mostraram tudo o que poderiam fazer no dia oficial, gerando ótimas impressões de quem assistiu.

Algumas semanas antes do desfile mais um momento de apreensão tomou conta da Viradouro: Dercy sofreu um acidente de carro onde sofreu uma fissura na bacia. Ainda assim a grande homenageada estava decidida a desfilar “nem que fosse em uma maca”, segundo a própria. A atriz ainda prometeu uma incrível ousadia no desfile, dizendo que iria com os seios à mostra.

Toda a dedicação do presidente José Carlos Monassa aliada à criatividade de Max Lopes  e todo o apoio da cidade de Niterói à Viradouro fizeram com que a escola chegasse no dia do desfile com todas as condições de realizar uma belíssima e inesquecível apresentação.

Uma insistente chuva caía sobre o sambódromo no final da tarde de 11 de fevereiro de 1991. Um pouco antes das 18 horas uma Dercy Gonçalves disfarçando o medo de altura com o seu habitual bom humor era posta pelo guindaste no alto do belo carro abre-alas da Viradouro ao lado do ator Luiz Carlos Braga, com quem contracenou por décadas nos palcos do Brasil. Como a primeira escola a desfilar naquela segunda-feira de carnaval e com um público ainda tímido, os 3800 componentes da Viradouro iniciaram a apresentação da escola debutante no Grupo Especial.

A comissão de frente em belos trajes vermelhos e brancos e com enormes esplendores representando o teatro, saudou o público e apresentou a escola de forma correta perante aos jurados. O mesmo teatro onde Dercy conquistou a fama agora abria passagem para a sua grande dama ser homenageada.

Logo em seguida veio o carro abre-alas todo em branco com tons rosa ladeado por enormes cisnes e belas mulheres. No alto da enorme escadaria deste carro estava Dercy sendo saudada pelo público e retribuindo, mandando beijos e acenos para a plateia. Como prometido, a atriz desfilou com os seios a mostra, numa ousadia que se tornaria uma das imagens marcantes do carnaval de 1991. Contrariando as recomendações médicas, Dercy passou quase todo o tempo em pé no carro, recebendo todo o carinho e os aplausos do público. Ainda faziam parte da alegoria a filha de Dercy, Decimar e mais alguns parentes da comediante.

Após o abre-alas desfilaram a ala de baianas muito bem vestidas com as fantasias em tons de prata, branco, vermelho e rosa, representando o carnaval num dos grandes momentos do desfile. Sucedendo a ala de baianas vinha o carro que encerrava a primeira parte do desfile, que fazia a saudação ao teatro e ao carnaval. Uma linda alegoria trazendo a coroa da Viradouro com Clóvis Bornay na frente trajando uma belíssima fantasia vermelha que também simbolizava o carnaval.

A partir daí a história de Dolores seria contada linearmente, se iniciando com a sua partida da pequena cidade de Santa Maria Madalena, no interior do estado do Rio. A alegoria que simbolizou esse momento era a da estação de trem da cidade onde todos as composições usavam fantasias referentes à época da partida de Dercy. O próximo quadro do desfile mostrou o cabaré “Casa de Caboclo”. Todo em tons de palha, branco e preto, o setor representava o local onde Dercy despontou como atriz.

Em seguida se apresentou o casal de mestre-sala e porta-bandeira Robson e Ana Paula em uma bonita com motivos carnavalescos nas cores da escola. O chão ainda molhado da avenida não permitiu uma evolução melhor do casal. Acompanhados deles, vieram seis casais de mestre-sala e porta-bandeira mirins, com fantasias semelhantes ao do casal principal. Atrás dos casais veio a bateria de mestre Ricardo também com fantasias que remetiam ao carnaval, assim como a ala de passistas da escola. Quinzinho e o time de intérpretes da Viradouro conduziram de forma magnífica o belo samba, bastante elogiado no pré-carnaval de 1991.

O setor seguinte, talvez fosse o mais belo do desfile, onde foi abordada a época em que Dercy brilhou no Teatro de Revista de Walter Pinto. Com lindas fantasias brancas e com o carro da escadaria do teatro o cenário composto se mostrou como outro grande momento plástico do desfile. A seguir, alas mostrando naipes de baralho e referências a jogos de sorte retrataram a fase em que Dercy se apresentou no Cassino da Urca. Este setor foi encerrado com o carro da roleta, também criativo. Neste momento a escola começa a apressar um pouco o passo.

A carreira de Dercy no cinema foi mostrada na parte seguinte do desfile. Vendedoras de bala e lanterninhas antecederam a bem resolvida alegoria das chanchadas. As cores predominantes neste setor foram o preto e o branco, remetendo ao estilo de filmagem usado na época. As passagens de Dercy pela televisão também foram lembradas com um setor representando uma corte real, em alusão à novela “Que rei sou eu”, onde a homenageada foi um dos grandes destaques.

O grande sucesso musical de Dercy “A perereca da vizinha” foi mostrado mais adiante com a divertida ala das crianças onde tinham várias pererecas. Por tamanho destaque, a ala foi premiada merecidamente com o cobiçado Estandarte de Ouro. Esta parte do desfile ainda contava com uma irreverente alegoria onde se via uma simpática perereca presa em uma gaiola. Encerrando o desfile, o setor do circo mostrava um dos grandes desejos de Dercy que era ter um circo. Palhaços, bufões, carruagens com animais, trapezistas e equilibristas precederam a bela alegoria do circo, que trouxe o histórico palhaço Carequinha, em mais um momento de entusiasmo na avenida. Após a alegoria, a velha guarda da Viradouro em elegantes trajes nas cores da escola encerrava o grande desfile da escola de Niterói.

Dercy radiante de alegria recebia as felicitações dos foliões na Praça da Apoteose, onde ficou para acompanhar o desfile. Realmente, como havia sido idealizado, o “Bravo! Bravíssimo!” foi ofertado de forma excepcional à esta grande dama do teatro brasileiro. Muito elogiado pela crítica carnavalesca, a apresentação da Viradouro foi colocada como uma das favoritas às primeiras colocações, em detrimento de outras escolas já tradicionais no Grupo Especial, mostrando que a Viradouro veio para ficar e fazer bonito entre as grandes escolas do carnaval carioca.

(por Renato Moço – Carnaval Interativo | Bravo Bravíssimo! Dercy Gonçalves, o Retrato de um Povo)

A História da Unidos do Viradouro

POR QUÊ VIRADOURO?
A Unidos do Viradouro tem esse nome por causa do local de origem da Escola. A Rua Dr. Mário Viana, a principal do bairro de Santa Rosa, em Niterói, era conhecida como rua do Viradouro no trecho próximo à Garganta, nome popular da subida do Morro da União. Isso porque era ali que o bonde virava, fazendo o retorno. Com o passar do tempo, o número de moradores cresceu, e em 1986, o Viradouro deixou de ser apenas um prolongamento de Santa Rosa, passando a ser considerado como bairro pela Prefeitura de Niterói.

A FUNDAÇÃO
Nelson dos Santos, o popular Jangada, era um apaixonado pelo samba. Ele costumava organizar batucadas no quintal de sua casa em Capitão Roseira, no alto do Viradouro. O sucesso foi tanto que Jangada resolveu organizar uma escola de samba. Assim nasceu a Unidos do Viradouro em 24 de junho de 1946.

AS CORES ORIGINAIS
A data de fundação da Viradouro, 24/06, coincide com a data comemorativa de São João Batista, padroeiro da cidade de Niterói, e por isso o santo foi adotado como padroeiro da Escola. Mas ao lado do Colégio Salesiano, no bairro de Santa Rosa, foi erguida uma Basílica e, nas proximidades, no alto do Morro do Atalaia, o Monumento a Nossa Senhora Auxiliadora, inaugurado em 1900. A proximidade com a Viradouro fez com que Nossa Senhora Auxiliadora fosse adotada como padroeira. Suas cores, o azul do manto e o rosa das vestes, acabaram sendo adotadas como as cores oficiais da Unidos do Viradouro.

O BATISMO
A madrinha da Viradouro é a Portela. Natal e a comitiva portelense foram batizar a Viradouro ainda em sua primeira quadra, na Garganta. Por causa da madrinha da Escola, quando foi criada, a Velha Guarda da Viradouro foi batizada pela tradicional Velha Guarda da Portela.

OS DESFILES EM NITERÓI
Com as cores azul e rosa, a Escola desfilou pela primeira vez em 1947, conquistando o quarto lugar no Carnaval de Niterói. O primeiro título veio logo, em 1949,.com o enredo Ararigbóia. De 1947 até 1963, a Viradouro conquistou 10 campeonatos. Só não venceu por quatro vezes (veja na seção Outros Carnavais).

DESFILANDO NO RIO – 1
Na primeira tentativa de competir na cidade do Rio de Janeiro, em 1964 e 1965, a Viradouro não foi bem sucedida. Resultados ruins e o atraso nos desfiles na Praça Onze, fizeram com que ela voltasse a competir em Niterói em 1966. Num dos anos, o desfile estava previsto para o início da madrugada, e só foi ocorrer por volta do meio-dia. Mas a Escola se orgulha de ter sido convidada a participar do desfile em homenagem ao IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro, em 1965.

AS MUDANÇAS DE ENDEREÇO
Em 1965, a quadra da Viradouro saiu do seu local de origem. Passou por cinco mudanças de endereço até chegar ao atual, na Avenida do Contorno, 16, no bairro do Barreto, em Niterói. O Barreto limita-se com o município de São Gonçalo, o que acabou contribuindo para atrair muitos simpatizantes gonçalenses para a Escola.

DE VOLTA A NITERÓI
Após a aventura carioca, em 1966 a Viradouro voltou a desfilar em Niterói. De 1966 a 1985, foram mais 8 títulos conquistados, incluindo um pentacampeonato (1980 a 1984). Foi a época de grandes disputas com a Acadêmicos do Cubango, outra grande força do Carnaval de Niterói.

A TROCA DAS CORES
Antigamente as Escolas usavam muito cetim nas roupas e decorações de carros. A fábrica Matarazzo de São Paulo fabricava esses tecidos na tonalidade de rosa que a Viradouro desfilava. Com o fechamento da Matarazzo, a Escola precisou recorrer a fornecedores diferentes, e passou a ter dificuldades em encontrar tecidos na mesma tonalidade para o desfile. Naquela época o respeito às cores imperava, e os adversários chegavam a acusar a Viradouro de desfilar com roupas e alegorias feitas com tecidos reaproveitados de anos anteriores. Sentindo que as notas começavam a refletir esse pensamento, prejudicando a Escola na disputa pelo campeonato – de 1966 até 1970 a Viradouro não foi campeã – , após o Carnaval de 1970 foi tomada a decisão de trocar as cores de azul e rosa para vermelho e branco. A troca deu certo. Já no primeiro desfile com as novas cores, em 1971, a Escola voltou a ser campeã.

DESFILANDO NO RIO EM DEFINITIVO
Depois de conquistar 18 títulos no Carnaval de Niterói, a Unidos do Viradouro decidiu desfilar no Carnaval carioca a partir de 1986. Tudo por causa do contestado resultado do Carnaval de 1985 em Niterói, quando Cubango e Viradouro se sentiram prejudicadas e desprestigiadas, e antevendo o declínio dos desfiles na cidade, resolveram passar a competir no Rio. A Viradouro chegou a fazer uma espécie de plebiscito interno. Um questionário foi entregue aos componentes para que avaliassem todos os prós e contras da travessia, e o resultado foi 98% a favor da ida para o Rio. Ambas se inscreveram na Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro (AESCRJ), mas no primeiro ano, em 1986, desfilaram no Grupo 2-B, apenas para aprovação da entidade. A partir do ano seguinte, elas passaram a competir normalmente com as outras filiadas da AESCRJ.

A ASCENSÃO NO RIO
A Viradouro teve que galgar todos os degraus até chegar ao desfile principal. Começou no Grupo 4, fui subindo, até que em 1990 conquistou o título do Grupo 1 com o enredo “Só vale o escrito”, que lhe valeu o acesso ao Grupo Especial. A chegada do presidente José Carlos Monassa Bessil, deu grande impulso à Escola, que pode realizar belos desfiles na elite do Carnaval carioca. Logo na estréia, em 1991, obteve um honroso 7º lugar entre 16 participantes. Mas o ponto alto de sua trajetória no Grupo Especial foi o campeonato conquistado em 1997 com “Trevas! Luz! A Explosão do Universo”, do carnavalesco Joãosinho Trinta. O título encheu de alegria e orgulho a cidade de Niterói. Após esse feito e as seguidas boas apresentações, a fama da Viradouro ultrapassou as fronteiras da cidade, e naturalmente começaram a surgir admiradores em vários cantos do país e do mundo, com os quais hoje em dia os niteroienses têm que compartilhar o amor pela escola.

Texto de Alexandre Omi